Luz mista

Bruges, Bélgica, 2007

Existem composições definitivas que resultam de experimentação, reflexões e ajustes finos. Outras, contudo, emergem instantaneamente quando se vislumbra a cena pela primeira vez, e qualquer insistência em procurar variações ou desenvolvê-la mais só faz aumentar a convicção de que ela é, de fato, a certa para aquela fotografia.

Esta foto foi um desses casos: ao avistar o barco, visualizei a imagem final, e segui até a posição em que obteria esse ângulo sem pensar ou considerar as possibilidades. Naquele momento, era a coisa mais sensata a se fazer. Isso não torna esse tipo de foto melhor ou pior do que as outras. Abrindo mais a questão para entendê-la melhor, basta considerar que diferentes áreas da fotografia valorizam diferentes abordagens (stills em estúdio quase sempre passarão por um sem-número de variações, enquanto a fotografia de rua é em geral mais espontânea, o que ainda é discutível mas foge ao escopo deste blog).

Enquanto fazia a foto, fiquei preocupado com a luz mista (havia duas fontes de luz com temperaturas de cor diferentes, impossibilitando a reprodução de cores literal para ambas, salvo edição posterior), o que me trouxe dúvidas sobre a necessidade de me contentar com outro ângulo, pelo qual somente as casas à esquerda ficariam visíveis. Depois acabei gostando do resultado: com o white balance ajustado para as lâmpadas incandescentes, as casas à direita, sob luz fluorescente, adquiriram tons azuis que contrastam com a paleta do lado esquerdo.

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6 respostas em “Luz mista

  1. Belíssima foto! O contraste entre as cores quentes e frias ficou lindo. Pode parecer ridículo mas me lembrou um jeito antigo de fazer sketch automotivo, mas que ainda funciona bem para alguns casos: A parte de baixo do automóvel reflete o chão (laranja, quente, terra) e a parte de cima reflete o céu (azul, frio, nuvens). #SergiãoFeelings.

  2. Leandro;
    Talvez porque seja amador, e assim livre de cumprir um certo ou um errado, adoro a mistura de luzes com cores diferentes, aliás é uma das minhas brincadeiras favoritas para fotos com luz ambiental artificial. Porque nas fotos com luz misturada temos evidenciada a cor das luzes, cor essa que nossa visão adaptativa/interpretativa, mascara na vida cotidiana. Evidentemente em cada fotografia assim precisamos fazer opções, escolhendo a luz de referência, mas em geral não busco neutralizar nenhuma, deixo mesmo o rastro da cor mesmo na luz que faço mais neutra.
    Bonita foto,
    Grande abraço
    Ivan

    • Obrigado, Ivan!
      Uma coisa que eu notei ao observar o trabalho dos outros é que eu tenho preferência por interpretações literais da temperatura de cor, enquanto muitos gostam de explorar white balances deliberadamente diferentes da fonte de luz (bem como curvas tonais diferentes, como as usadas para simular tipos de filmes) para alterar a percepção do motivo. Com algumas exceções, eu quase sempre tento fazer o white balance corresponder à fonte de luz, quando existe só uma. Mas o que eu acho interessante foi justamente o fato de que pude perceber ser isso uma característica incomum minha por ver como os outros trabalham. Caso isso não ocorresse eu poderia achar que o meu jeito fosse apenas o caminho mais natural de se proceder, para não mencionar a possibilidade de achar que seria o único caminho. Tudo isso só para dizer o quanto valorizo o intercâmbio entre fotógrafos, por mais que cada um tenha seu jeito (o que é muito bom).

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