Farol

Bodensee em Lindau, Alemanha, 2009

Por trabalhar com luz natural, é essencial ao fotógrafo de paisagens atentar para todas as condições que a influenciam: horário, época do ano, distribuição de nuvens. As duas primeiras influenciam a posição e temperatura de cor do sol, a última altera a qualidade e quantidade de luz e o fundo.

Ao viajante casual que não pode se dar ao luxo de estabelecer exatamente a melhor época para a foto que pretende, nem retornar várias vezes até que o céu se apresente em condição ótima, resta sempre a possibilidade de planejar suas saídas e passeios de acordo com o horário. Não apenas por causa da hora mágica, mencionada no post “Pegando água”, mas também porque o ângulo de incidência muda, muitas vezes alternando entre uma situação a favor da luz em um período do dia e contra-luz no período oposto.

Quando viajo, costumo estabelecer meus roteiros identificando os lugares em potencial em um mapa e para qual direção estão virados. Pontos com face leste são visitados durante a manhã, pois vão estar a favor do sol, e pontos com face oeste são deixados para a tarde. Foi o que fiz nessa viagem a Lindau, de apenas um dia. Como a cidade fica em uma ilha no meio do Bodensee (lago de Constança), me programei para percorrer o lado oeste da ilha pela manhã (o que me permitiria tirar fotos do lago a favor da luz) e o lado oposto, que continha o farol acima, durante a tarde.

O farol na verdade fica ao lado da estação de trem onde desembarquei, de modo que o avistei logo em seguida. Porém, como havia me planejado, não perdi tempo fotografando-o em contra-luz, já imaginando como ele se apresentaria ao fim da tarde. Então, ao fim do dia, foi apenas uma questão de definir a melhor posição (nesse caso, optei por uma que revelasse o farol em ângulo e mostrasse uma fina região de sombra, para definir a forma e adicionar contraste local).

O enquadramento partiu da escolha dos respiros laterais, maior do lado direito, para onde o farol está virado. Depois defini o tamanho da massa visual do farol que desejava no frame e defini o respiro superior. Percebendo que o corte do horizonte (nesse caso, as montanhas, e não o horizonte real) não estava centralizado e que a massa de água embaixo tinha uma proporção aceitável, dei a composição como definida.

Por fim, é sempre bom lembrar que contra-luz não é necessariamente ruim; ela é apenas diferente, e abre uma série de outras possibilidades. Contudo, quando se quer fotos figurativas de um monumento ou paisagem (o que quase sempre é o caso em uma viagem), considero prudente seguir o planejamento que mencionei.

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