Clichê

Colônia, Alemanha, 2007

Este post vou me concentrar nos aspectos técnicos de operação de câmera, o que não quer dizer que esta foto não contenha os outros julgamentos composicionais: eles foram simplesmente omitidos para não tornar o post muito longo. Aos que abominam esse tipo de post, quero tranquilizá-los avisando que ele é uma rara exceção.

Um conceito que iniciantes em fotografia muitas vezes têm dificuldade em compreender, e que em fotógrafos mais experientes já faz parte do “possuir” (sendo esse o terceiro estágio do aprendizado de um conceito ou técnica, depois de entender e dominar, conforme Zakia e Rand), é a relação entre quantidade de luz e os três elementos da tríade de exposição (ou, como eu prefiro, de registro de luz, já que a rigor sensibilidade não altera exposição): velocidade, abertura e sensibilidade (ISO).

Ouvi e já li várias vezes coisas como “se tem pouca luz tenho que usar ISO alto”, mesmo de pessoas que já aprenderam a tríade. Não que a frase seja absurda: até faz sentido em vários contextos, mas o erro está em achar que a pouca luz cria a necessidade de ISO alto e fotos com ruído, como se a quantidade de luz presente fosse a mesma que vai ser registrada na câmera. Não importa quanta luz está presente para se obter uma exposição: você pode fazer uma foto totalmente branca (superexposta) de uma pilha de carvão ou uma foto escura de um dia ensolarado. Parece óbvio, mas se fosse, ninguém teria dificuldade em imaginar que fotos noturnas podem ser feitas em ISO baixíssimo, sem ruído, e com saturação e luminosidades altas.

Para fazer a foto acima, sabia logo de cara que ia precisar deixar a máquina estática. Não tinha tripé comigo, mas usei o parapeito (este local é um mirante, razão pela qual existem várias fotos da mesma posição por aí). Uma vez que a máquina ficaria estável repousando sobre a pedra, podia deixar o tempo de exposição receber toda a “carga” da exposição: ou seja, podia escolher a abertura e o ISO que julgasse melhor, já que tinha margem infinita de manobra no tempo de exposição (com a máquina estável, não faz diferença se a exposição vai ser de 1/100, 1 ou 30 segundos, nesse caso em que não havia objetos em movimento e também não há falha de reciprocidade com sensores digitais).

Desse modo, usei ISO 100 para minimizar ruído randômico e f/8 por ser o sweet spot da lente (a abertura de maior nitidez da lente, geralmente a menor abertura de diafragma antes que a difração comece a degradar a imagem). Calibrei o white balance no olho para corresponder aproximadamente à luz da catedral, o que fez a ponte adquirir o tom dourado (calibrar para a ponte faria a catedral ficar azulada). A única coisa que talvez fizesse diferente hoje seria expor à direita ao invés de buscar a exposição final já no RAW, para aumentar a riqueza tonal e melhorar ainda mais a proporção sinal/ruído. E caso alguém se lembre disso, sim, minha máquina sofreu de ruído por longa exposição (algo que hoje em dia já foi quase erradicado das máquinas mais novas), mas este é fácil de corrigir na pós-produção pelo seu caráter pontual.

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Uma resposta em “Clichê

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