Diagonais

Catedral de Ulm, Alemanha, 2009

A foto acima teve grande participação do acaso na sua realização, e não tenho vergonha alguma de admitir isso (só consideraria um problema se ele, ao invés de oferecer um útil auxílio ocasional, passasse a ser necessário para a minha fotografia, e mesmo isso é uma posição pessoal). O evento que me levou a pré-visualizá-la foi um funcionário, que muito prestativo me chamou para mostrar uma curiosidade: uma das colunas é visivelmente tortuosa em seu ponto mais alto. Disse ele que isso se deve a um simples erro durante a construção, o qual não foi detectado a tempo: a coluna havia ficado mais alta do que as outras. Sem jeito de reconstruí-la, simplesmente a forçaram para ficar na mesma altura que as outras na junção com o teto, entortando-a.

Pois bem, ao ouvir a história pensei em tirar uma foto da junção, de maneira despretensiosa, somente para me recordar da anedota (verdadeira ou não). Porém, por estar muito alta, não ia conseguir uma foto somente dela, já que a parca iluminação da igreja não me permitiria o uso de uma tele sem um ISO proibitivo (para a foto não sair tremida). Não podia usar tripé, já que 5 minutos antes ele havia sido temporariamente confiscado (só queriam me deixar usar tripé se eu pagasse uma taxa), e nem que pudesse, não me daria ao trabalho de montá-lo só para uma foto sem importância.

Contudo, enquanto olhava para cima a partir desse ponto me interessei pelo arranjo das formas contrastantes presentes num ângulo de visão mais amplo: separando o quadro em quatro partes, tinha-se duas massas de tons baixos (em cima e à esquerda e embaixo à direita) contrastantes com duas de tons altos. Além disso, uma delas apresentava temperatura de cor diferente das outras, o que acabaria adicionando uma cor na foto final, introduzindo outro tipo de contraste.

Na hora considerei que me agradaria mais se a estátua não estivesse ali presente, mas depois a considerei um bom elemento de quebra: os outros quadrantes têm cada um um diferente padrão ou desenho, e a própria organização geométrica, embora claramente centralizada pelas linhas em perspectiva, ainda assim se apresenta de maneira caótica. Por último, me preocupei com o Cristo crucificado na parte superior, por achar que seu alto contraste ia fazer dele um ponto de muita atração. Contudo, o ângulo e a distância fizeram com que suas dimensões ficassem pequenas o suficiente para ele ser uma das últimas prioridades em uma varredura visual.

Realizei a exposição imaginando colocar nas altas-luzes o canto superior direito, com as janelas clipadas mesmo (o alcance dinâmico excederia o possível em uma só captura, e não era do meu interesse que fosse possível ver através das janelas). Desse modo, as massas escuras ficariam ainda com seus desenhos visíveis, mas claramente nas sombras, e o quadrante da estátua ficaria com uma certa subexposição, o que não me incomodou: muito contraste nela faria com que chamasse mais atenção do que o jogo entre as massas claras e escuras.

Gosto muito dessa foto, e me pergunto se alguém repararia que bem no meio dela existe uma coluna torta.

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