Anhangava

Morro Anhangava, Paraná, 2011

Ansel Adams, com seu “the making of 40 photographs”, foi uma das inspirações deste blog. Essa foto segue seus princípios de pré-visualização, embora não tenha utilizado o sistema de zonas (porque sabia que ia alterar valores tonais pela conversão pb no pós-processamento de acordo com as cores, o que torna os valores de luminosidade irrelevantes antes da escolha dos pesos de cada cor).

Enquanto caminhava pela trilha, me veio à cabeça essa possibilidade de composição: paisagem ampla, com duas pessoas pequenas, figurantes da paisagem, e não protagonistas. Vários planos: vegetação em primeiro plano, montanhas e céu em segundo plano, com nuvens que provêm forma e detalhes. Para isso uma série de fatores se mostravam presentes.

O primeiro fator é a organização do primeiro plano: perfil oblíquo, com a quebra proporcionada pela grande rocha, contrastando e servindo como âncora, juntamente com as pessoas. A presença das plantas de hastes laureadas por finos fios em suas pontas (cujo nome não sei, e agradeceria se alguém me informasse) forneceu vários elementos contrastantes bem distribuídos. As pessoas estavam com seus perfis bem delineados, contra as montanhas distantes, o que garantiria boa separação, que por sua vez evitaria que elas passassem despercebidas em meio à vegetação do primeiro plano. A postura da pessoa à esquerda não me agradou, mas não tive outra opção: eles saíram dali em seguida.

As montanhas ao fundo forneciam o segundo fator: pela serração, ficam com contraste baixo, atuando como um bom fundo ao não competir com o primeiro plano. Se transformam apenas em formas, levemente texturizadas, complementando também semanticamente os outros elementos.

O céu estava excelente: nem nublado a ponto de se transformar em uma massa cinzenta, nem limpo a ponto de virar um vazio, que não daria contraponto algum ao resto da imagem. As nuvens se faziam presentes sem excesso, exibindo forma e contraste. Conforme percebi somente depois, elas também formam uma linha oblíqua, no mesmo sentido do perfil do primeiro plano.

A minha pré-visualização era clara: separar bem cada região tonalmente para facilitar a leitura, mas permitindo ainda que cada uma possuísse contraste local. Dadas as condições, me pareceu natural deixar os tons baixos em primeiro plano, com suas altas-luzes beirando os meios tons e as tais plantas um pouco acima. As montanhas ficaram um pouco acima dos meios-tons para cumprir seu papel, e foi preciso ainda uma curva tonal aplicada localmente a elas. O céu ficou nas altas-luzes, com outra curva aplicada só às nuvens para evidenciar suas formas e colocar suas sombras nos meios-tons.

A quem não compreende o que implica “colocar” cores e regiões em tons específicos durante a conversão preto e branco, sugiro que leia este artigo no Cambridge in Colour e também o livro “O negativo”, de Ansel Adams, onde ele explica detalhadamente a pré-visualização e distribuição tonal.

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