Curva

Norwich, Connecticut, EUA, 2005

Em um dia de inverno no fim de Dezembro de 2005, saí de casa sozinho para tirar fotos e explorar os arredores. Na época usava a Sony V3, uma excelente máquina compacta avançada (categorizada na época como prosumer) que lembra bastante as Canon G, e não tinha começado a estudar fotografia ainda (o que estava prestes a acontecer).

Depois de descer o caminho que aparece na foto, que margeia um rio, olhei para trás. No mesmo instante a foto surgiu na minha cabeça, pronta, enquadrada e pré-visualizada, e ela simplesmente parecia certa (assim como a foto “luz mista” que inaugurou este blog). Essa foi a primeira vez que experimentei essa sensação, essa pequena epifania. Quando isso acontece — parafraseando alguém que infelizmente não lembro quem seja — não é você que faz a foto, é ela que te escolhe. Depois disso, há um laço emocional intrínseco, e embora seja possível racionalizar o julgamento, não há como evitar que ele seja solenemente ignorado.

Essa sensação que me fez começar meus estudos em fotografia. Não que não haja o mesmo prazer na construção de uma foto que é resultado de trabalho árduo e inúmeras iterações: o prazer difere somente em natureza, e também é gratificante. Cada um aprecia os múltiplos processos de modo diferente, o que acaba levando a pessoa para uma área específica da fotografia, por mais que ela seja capaz de apreciar o trabalho de outros que resulte de outras linhas (e aí entram o studium e o punctum de Barthes).

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