“Lua”

Colônia, Alemanha, 2007

Sempre me perguntam o que é essa foto, algumas vezes já especulando se ela seria uma montagem de duas diferentes ou uma dupla exposição (o que na fotografia digital se qualificaria também como uma montagem). As linhas na parte superior parecem não fazer sentido figurativamente, e o fato de estarem atrás da forma circular branca, que ainda por cima parece iluminar um plano acima dela, terminam por desconcertar o olhar que busque suas origens. Antes de explicar o que são, irei descrever o local e o evento, o que dá a oportunidade para um leitor observador entender a foto sozinho antes de chegar ao fim deste post.

Em Colônia existe um prédio bem alto chamado Köln Triangle, logo atrás do mirante de onde fiz a foto “clichê”, onde é possível subir ao terraço para apreciar a vista. Nossa intenção era subir perto do fim da tarde, apreciar o pôr-do-sol e um pouco da noite, com a catedral e a cidade iluminadas. Depois de tirar algumas fotos enquanto o céu ainda estava alaranjado, precisávamos esperar pelo menos uma hora para a noite se estabelecer de fato. Era Dezembro, então as temperaturas estavam muito baixas, de modo que decidimos esperar no conforto do aquecimento de um espaço fechado, separado do resto do terraço por painéis e uma porta feitos de vidro.

As colunas que aparecem na parte inferior são parte da barreira do terraço, tal qual enormes janelas de vidro (devem ter pouco mais de 2 metros de altura). As linhas na parte superior formam parte da cobertura do terraço, que de maneira pouco usual se assemelha a um guarda-chuva de vidro: a linha curva é a sua borda externa circular, e a outra é um dos suportes que a ligam ao eixo central. Esta foto mostra tudo, inclusive a porta atrás da qual eu estava.

A foto faz mais sentido quando se pensa que só não há vidro na faixa estreita de céu ao meio, que separa a cobertura acima da borda do terraço abaixo. Na verdade essa parte também está sendo vista através de vidro (o do painel logo à minha frente, cujas bordas ficaram fora da foto e desse modo afeta o quadro inteiro). O que explica a “lua”: é apenas o reflexo de uma luminária de parede, localizada atrás de mim. A luz externa ainda era forte o suficiente para subjugar quaisquer outros reflexos vindos de dentro (juntamente com o uso do polarizador na intensidade máxima).

Do momento em que vi o reflexo da luminária e decidi fazer alguma coisa com ele até esta foto, foram 5 tentativas e alguns minutos, definindo a posição dos elementos e a proporção de cada área pela altura da câmera (partindo do risco atravessando a esfera e definindo o resto a partir daí).

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