Rastros

Curitiba, Paraná, 2010

Já me perguntaram se essa foto é uma macro de cerdas de escova de dente, vassoura ou coisa parecida. Confesso que, apesar de ser formalista convicto, só gosto dessa foto pelo efeito de surpresa que ela provoca nas pessoas quando digo que ela foi feita no zoológico, em plena luz do dia. Até porque formalmente ela não tem muita profundidade, e eu a considero de certo modo vulgar e carente de sutileza.

Objetos altamente reflexivos podem estar vários stops de luz acima de seus arredores, o que é difícil para iniciantes compreenderem, uma vez que a adaptação ocular consegue acomodá-los dentro da mesma faixa de alcance dinâmico. Traduzindo para termos mais simples: um objeto que reflita bem a luz pode ficar muitas vezes mais claro do que o resto do ambiente, mas os nossos olhos (com incrível capacidade de adaptação) fazem ele parecer só um pouco mais claro. O que nos leva à foto acima.

Ao decidir fotografar a flor em questão, procurei um fundo que garantisse boa separação, já que muitas hastes ficariam razoavelmente difusas pela distância pequena de foco (que resulta em baixa profundidade de campo), e não queria que elas se misturassem ao fundo ou que tudo se transformasse em uma massa indistinguível. O fundo nesse caso é água de um rio, que se apresentava bem escura e, desse ângulo, não apresentava reflexos especulares do sol (que iam resultar em altas luzes brilhantes ao fundo, competindo com as hastes).

Com a fotometria baseada nas hastes (na verdade no centro da flor, que não está inclusa no quadro), a água caiu em um tom bem baixo, de menos de 20% de luminosidade (ou zona II, para quem utiliza o sistema de zonas), que já era uma separação mais do que satisfatória e posteriormente seria consolidada ao revelar o arquivo RAW, onde a passei para preto puro.

O enquadramento original na verdade englobava a flor inteira, mas decidi isolar as hastes para privilegiar a forma sobre o conteúdo. O foco, apesar de aparentemente complicado de definir (a flor se movia com o vento e não apresentava bom contraste) foi a parte mais simples: foco manual aproximado. Como existem hastes nas mais variadas distâncias, com certeza uma camada estaria no plano focal.

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