Notre Dame

Igreja de Notre Dame, Bruges, Bélgica, 2007

Neste post vou focar somente no aspecto técnico envolvendo a regra do inverso da distância focal. É preciso conhecê-la e entender o básico sobre exposição para tirar proveito dele, então aconselho os que procuram por posts que descrevam o processo compositivo a ver o post anterior.

Esta cena apresentava vários elementos combináveis entre si, uma daquelas situações que apresenta muita versatilidade para trabalhar com diferentes enquadramentos, pontos de vista e distâncias focais. Na ocasião tinha acabado de fotografar a escultura de Michelangelo que se encontra na mesma igreja, e pela distância mínima requerida para ela havia trocado de objetiva para a 50mm. Assim que cheguei à nave e avistei o órgão, resisti o meu impulso natural de voltar à minha zoom padrão (na época uma 18-70mm) para a tomada geral, preferindo aproveitar as possibilidades de enquadramentos fechados isolando os elementos um de cada vez ou em pares: fiz uma alternativa com a cruz e o órgão, uma somente do órgão na horizontal, uma do órgão e todo o altar.

Em igrejas, a intensidade da luz costuma permitir velocidades entre 1/4s e 1/8s a f/3,5 e ISO 100, padrão que eu já estava acostumado a seguir com a lente zoom em sua distância focal mínima, 18mm. Com os 2 stops de folga que a estabilização me garantia, costumava fazer três tentativas para que uma delas tivesse boa nitidez (o ideal, claro, seria usar um tripé, mas o seu peso e volume não eram muito viáveis no tipo de viagem que fazíamos). Nesse caso, porém, o fotômetro me indicava 1/2s em f/1,7 e ISO 200 (precisava de quase 6 stops a mais na velocidade para evitar que a foto saísse tremida, de acordo com a regra do inverso da distância focal, ou pelo menos 4 se levasse em consideração a estabilização).

Percebendo que nem que extrapolasse os limites de ISO da máquina conseguiria uma boa velocidade, adotei a abordagem “here goes nothing” (“seja o que Deus quiser”) já que a única outra opção seria desistir. Fiquei estarrecido quando a primeira foto, da cruz, saiu com boa nitidez na primeira tentativa, a 1/2s em 50mm (75mm em equivalência full-frame). Infelizmente depois desse golpe de sorte precisei de 10 tentativas para fazer a segunda foto (e ainda assim com menos nitidez do que a primeira) e mais duas para fazer uma terceira tentativa, também longe do ideal em nitidez. A composição acima é formada pela primeira e terceira fotos. Acabei decidindo juntá-las somente posteriormente, como uma outra alternativa, mais ampla e voltada para uma varredura ocular mais lenta, e contendo dentro de si várias outras composições, percebidas uma de cada vez ao longo do trajeto vertical.

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