Pixelização de bokeh

Norwich, Estados Unidos, 2006

Esta foi a segunda foto tirada com a minha primeira máquina reflex, em 2006. Já tinha começado a estudar sobre fotografia, o que foi justamente a minha motivação para comprá-la, então esse primeiro contato se resumia a poder experimentar e testar tudo aquilo que eu só podia imaginar enquanto lia. Uma das coisas que mais me interessava na época era a profundidade de campo menor oferecida pelo sensor de maior tamanho*. Desse modo, a primeira coisa que fiz foi colocar a câmera em “A” para testar o efeito de diferentes aberturas. Apontei a máquina pela janela com a persiana abaixada não porque tivesse algum interesse especial por esse referente, e sim porque queria simplesmente ter no mesmo frame objetos próximos e afastados, a fim de verificar o bokeh resultante.

Depois de uma primeira foto, em que eu ainda estava um pouco afastado da janela, notei que o bokeh estava, como era de se esperar, mais intenso do que aquele que eu obteria com a minha outra câmera, mas algo em sua aparência me intrigava: ao invés de um esmaecimento suave e uniforme, sua aparência deixava implícita uma grade, como uma imagem pixelada (ou seja, ampliada a ponto de ser possível ver os pixels individuais que a formam).

Já havia lido alguma coisa sobre bokehs poderem ter diferentes características, sendo o de algumas lentes mais suaves que de outras, mas não esperava algo dessa natureza. Depois de olhar através do visor da máquina, percebi que isso só acontecia quando olhava através da janela, e foi então que percebi a presença de uma fina rede contra insetos, e constatei ser ela a causa da aparência inusitada do bokeh.

Por fim, realizei a foto acima, que pretendia evidenciar o fenômeno ainda mais. Devo à essa foto a motivação para pesquisar mais sobre isso posteriormente, o que me fez compreender melhor as influências no bokeh das lâminas do diafragma e, como neste caso, de anteparos logo à frente da lente. A quem se interessar em começar a aprender mais sobre isso, sugiro a introdução ao bokeh por Bob Atkins (em inglês).

* Se formos técnicos rigorosamente, a profundidade de campo não é de fato diferente, ela só aparenta ser diferente por ser necessário utilizar uma distância focal maior para se obter o mesmo ângulo de visão, o que altera o número f. Contudo, para simplificar, pode-se dizer que formatos maiores resultam em profundidades de campo menores.

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