Lago Llanganuco I

Parque Nacional Huascaran, Peru, 2009

Na região do Parque Nacional de Huascarán há muitas árvores como a da foto acima. Me interessei pela coloração levemente alaranjada de seus troncos e pelas formas retorcidas que assumem, que lembram raízes penetrando e abrindo caminho com dificuldade, num esforço aparentemente injustificado (pois não se trata de terra, mas sim de ar). No lago Llanganuco encontrei um bom cenário para fotografar um exemplar (já que achava que, por si só, as árvores não ofereceriam interesse suficiente para uma fotografia).

Além da questão da separação, a alteração da localização da câmera visando chegar a um fundo específico também é essencial para posicionar e definir a proporção dos elementos secundários na foto. No exemplo acima, a cachoeira, como elemento de segundo momento, está fazendo contraponto ao peso visual principal na parte oposta da foto (o tronco). Ela se encontra ali não por acaso: a posição foi escolhida em função dela, e não em função de qual ofereceria a postura mais confortável para se fotografar. Isso parece óbvio, mas é impressionante a quantidade de pessoas que se intitulam fotógrafos que ao se deparar com uma cena que querem fotografar param, pegam a câmera, a levam até o rosto e clicam.

Do mesmo modo, a proporção poderia ser definida mudando-se a distância até o tronco: quanto mais longe, maior a cachoeira apareceria (o que costuma ser chamado de perspectiva achatada). Ao contrário da crença bastante difundida, isso não é determinado pela distância focal: tudo que uma teleobjetiva faz é recortar a parte central do enquadramento de uma grande-angular. O resultado vai ser sim uma perspectiva diferente, mas só em função do afastamento necessário para se manter o mesmo enquadramento desejado originalmente.

Na foto em questão a profundidade de campo pode aparentemente prejudicar a separação: as folhas da árvore se confundem com o fundo, que também possui textura intensa. Por outro lado, desse modo a árvore se separa do conjunto folhas+fundo, se tornando um elemento à parte e evidenciando o tronco, que continua com boa separação pelo contraste de cor e luminosidade.

O negativo digital original se extendia na parte superior: acabei aparando-o para excluir um pedaço de céu, que ficava como elemento com maior luminância e portanto alterava o equilíbrio dos pesos visuais, puxando-o para o canto superior direito. A proporção do quadro acabou ficando um pouco mais parecida com a percebida pela proporção 3:2 na horizontal, o que é interessante neste caso (3:2 na vertical parecem mais alongadas do que 3:2 na horizontal, graças à anisotropia espacial descrita por Arnheim).

Por último, deixo uma questão: nesse dia, esqueci o filtro polarizador, então a água saía empalidecida pelo reflexo do céu nublado. Durante a revelação do RAW, rebaixei sua luminosidade e alterei matiz e saturação levemente para que se assemelhassem mais ao que meus olhos enxergavam. Nesse caso, isto é manipulação da imagem? Estou distorcendo a — abre aspas — [sarcasmo] “”realidade”” [/sarcasmo] — fecha aspas —?

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