Céu centrado parte 2

Pinakothek der Moderne, Munique, Alemanha, 2009

(Este post é continuação do post da semana passada, que falava mais do aspecto compositivo e perceptivo da foto. Este vai tratar dos aspectos técnicos).

O local da foto é a cúpula central do teto de um museu em Munique, retratado a partir do chão com a lente apontada para cima. Definida e pré-visualizada a foto com base no desenho bidimensional proporcionado pelo princípio da simplicidade, parti para a execução: para começar, encontrar o centro exato, o que não é difícil. Neste caso o chão tinha a demarcação do centro, mas mesmo que não tivesse a posição exata fica bem evidente porque é somente nela que o desenho bidimensional fica em ordem.

Para a exposição, é preciso ter em mente que esse tipo de situação é uma contra-luz. O céu não emite luz própria, mas a intensidade da luz do sol que ele recebe é tão superior à das lâmpadas que sua luz refletida ainda a sobrepuja sem dificuldade. Aos olhos esse contraste é atenuado severamente, e as regiões de sombras na foto são enxergadas como se fossem meios-tons.

O fato do vidro da cúpula não ser totalmente translúcido cria três níveis de luminosidade: o centro imediato, onde se enxerga o céu sem obstáculos; o céu através do vidro, menos luminoso; e o interior do prédio, muito mais escuro. Colocando o primeiro nas altas-luzes (mais precisamente na zona IX, para quem entende o sistema de zonas de Ansel Adams), o segundo caía nos meios tons (zona VI) e o terceiro quase no preto (zona I). Na revelação do RAW resgatei um pouco o primeiro nível para obter um azul mais saturado (uma vez que na zona IX ele se aproximava muito do branco) visando deixar mais evidente o fato de que naquela região não há vidro.

Para focar simplesmente usei o ponto central travado na borda do círculo menor e recompus logo em seguida para restaurar a centralização do enquadramento. Não havia preocupações com profundidade de campo, uma vez que a diferença de distância entre o ponto mais próximo do desenho e o mais afastado não era significativa, então defini como abertura o sweet spot desta lente, que neste caso em um sensor APS-C se encontra em f/8.

*Esta foto foi utilizada para ilustrar um poema no blog “design Di poesia”. Veja o post aqui.

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